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domingo, 27 de fevereiro de 2011

VERGONHA - Cidades do interior sem viaturas por falta de pagamento

Existem pelo menos duas cidades do interior do Rio Grande do Norte que não possuem sequer uma viatura para atender às ocorrências. Os policiais de Passagem, a 80 quilômetros da capital, e Ielmo Marinho, a 50 quilômetros, não dispõem de veículos para trabalhar. Os carros foram enviados para manutenção, mas devido ao débito do Governo com a empresa Locação de Veículos e Serviços Ltda (Locavel) não retornaram.

Além dessas cidades, a Companhia de Turismo da PM em Natal também teve baixa de duas viaturas, em um total de oito. O comandante geral da PM, coronel Francisco Canindé Araújo, garantiu que o problema estará solucionado em breve.

Na tarde da última quinta-feira, a reportagem da TRIBUNA DO NORTE acompanhou a transferência dos carros do quartel da PM para o caminhão-cegonha. Os adesivos postos na lataria indicavam a cidade de origem da viatura. Além de Passagem e Ielmo Marinho, também embarcaram no caminhão, veículos de Fernando Pedroza e Assu. Outras estavam sem identificação.

A reportagem entrou em contato com o sargento Hugo do Nascimento, comandante do destacamento da PM em Passagem. À TRIBUNA, ele revelou que está trabalhando sem viatura. “Só tinha uma. Aí mandei pra Natal para trocar o óleo e fui informado que não voltaria porque tinha uma dívida do Governo com a locadora. A saída que encontrei foi pedir uma emprestada de Goianinha para ficar aqui nos finais de semana”, esclareceu.

Se a situação está difícil em Passagem, onde existem 3 mil habitantes, pior ainda está em Ielmo Marinho. Lá, a polícia que presta serviço aos 12.188 moradores também está sem viatura, mas não há os paliativos como em Passagem.

“Há 10 dias enviei para o quartel, pois o carro estava com um problema. Liguei hoje [ontem] e soube que não haverá liberação. O comando ainda não deu uma resposta para nós. Sem dúvida, o nosso trabalho fica mais difícil, tinha uma intimação para entregar e não fiz”, lamentou o sargento José Aparício, comandante do destacamento do município.

À TRIBUNA, o comandante da PM garantiu agilidade na resolução do problema. “Viajo hoje [ontem] para Mossoró e este assunto será tratado. Temos viaturas próprias de reserva e faremos um esforço para completar onde está faltando”, disse o coronel Araújo.

A reportagem telefonou para os destacamentos da PM e para as delegacias da Polícia Civil das cidades de Fernando Pedroza e Francisco Dias, cujos veículos também foram recolhidos. No entanto, o contato não foi concretizado e as realidades desses municípios não puderam ser constatadas.

Frota será substituída após o pagamento

Representantes da Locavel, empresa responsável por contrato de aluguel de 300 viaturas para as polícias Militar e Civil no RN, estiveram na manhã de ontem em Natal para ouvir o Governo do Estado. A reunião com o secretário adjunto de Segurança Pública e Defesa Social, Airton Ferraz, serviu para informar oficialmente sobre a decisão de quitar a dívida que atinge os R$ 3,3 milhões. Apesar disso, um dos diretores da Locavel disse que a empresa permanece sem caixa para repor as viaturas quebradas até que realmente o dinheiro seja transferido.

“O secretário informou que até o dia 15 o pagamento será efetuado. Mas paramos de consertar e substituir as viaturas por falta de caixa devido à dívida e continuamos na mesma situação. Liberado o recurso, agiremos o mais rápido possível para colocar os carros nas ruas”, informou o diretor financeiro da Locavel, Danilo Ricardo Barreto. O diretor veio de Recife, onde fica a sede da empresa, para constatar a oficialização da quitação do débito do Governo.

Danilo esclareceu que o contrato previa que houvesse 10% da frota à disposição para substituição; no caso do RN, essa porcentagem representava 30 veículos. “Na Região Metropolitana, o tempo para substituição é de duas horas. Nas cidades do interior, 24 horas”, disse.

Apesar do aparente desgaste da empresa com o governo devido à dívida, o diretor financeiro negou que o contrato de locação fosse encerrado após o pagamento. “O dinheiro que será repassado pelo Governo do RN até o dia 15 nos dá um novo fôlego. Temos mais, no mínimo, um ano de contrato e iremos cumprir”, afirmou Danilo Barreto.

A reportagem da TRIBUNA DO NORTE voltou a conversar com Airton Ferraz. Para ele, “está tudo resolvido”. “Os recursos virão de um convênio com o Detran e a data que passei para vocês [15 de março] é o limite para se cumprir os trâmites burocráticos. Com o pagamento efetuado, os serviços, que já não foram muito abalados, voltarão ao normal”, informou o secretário adjunto, enquanto reiterava que não houve recolhimento das viaturas e sim retenção por falta de manutenção.

sábado, 5 de fevereiro de 2011

Viaturas quebradas se amotoam em pátio no RN

O cidadão sabe, ou ao menos sente na pele, a importância de uma viatura dentro da estrutura das polícias. Os policiais também. Mas é difícil, para ambos, explicar as 70 viaturas da Polícia Civil do RN estacionadas no pátio do Setor de Transporte, na rua Sachet, bairro da Ribeira, todas quebradas.

Segundo a polícia, maioria dos carros não vale a pena consertarDevido à quantidade, boa parte desses carros repousa há anos em um terreno baldio em frente à oficina. Alguns estão, aos poucos, sendo encobertos pelo mato ou lixo doméstico. Estão, de fato, em meio às centenas de sacolas de lixo. São carros em sua maioria dos anos de 2003/2004. Uma parte deles poderia estar atendendo à população, hoje, bastando para isso a substituição de uma simples peça.

Os veículos são de delegacias especializadas, ou distritais localizadas na capital e interior do Estado. Alguns deles impressiona pelo aparente estado de conservação. Nos parabrisas de alguns há a descrição do problema — como freio quebrado, ou pane elétrica.

Uma viatura da delegacia Especializada em Homicídios (Dehom), um GM Meriva de placas MZB-5959, está ao relento, ladeado por sacolas de lixo. O problema? “pane elétrica”, diz a observação escrita no parabrisa. Essas viaturas, segundo apurou a TRIBUNA DO NORTE foram substituídas por 80 carros alugados à empresa Locavel.

A antiga viatura da Polícia Civil, do município de Bodó, está há meses no terreno baldio na rua Sachet. Na delegacia há um carro, mas da Polícia Militar. A maioria dos veículos quebrados são GM Meriva.

A Polícia Civil tem cerca de 400 viaturas distribuídas em todo o Estado. Dessas, aproximadamente 100 são locadas. Procurado pela reportagem, o chefe do Setor de Oficina da Polícia Civil, Ranulfo Alves, limitou-se a dizer que 80% desses carros necessitam de reparos que acaba não compensando à polícia mandar repará-los. A oficina tem um custo de pouco mais de R$ 2 milhões por ano, com peças e mão-de-obra. Dinheiro que é pago o serviço terceirizado.

“Uma coisa que não se faz mais hoje em dia é retirar peça de um carro para consertar o outro. A vida útil média dessas viaturas é de dois anos. Tem carro aí que precisa de um serviço simples e uma peça, mas sem a liberação do orçamento não há o que fazer”, afirmou Ranulfo Alves.

Procurado para falar sobre o assunto, o chefe geral da Polícia Civil, delegado Ronaldo Gomes, disse através da assessoria de imprensa que a situação só poderá ser resolvida após a liberação do orçamento. Mas assegurou que nenhuma delegacia está sem viatura.

A reportagem também apurou a existência de uma dívida no valor aproximado de R$ 2 milhões governo com a Locavel referente apenas às viaturas da Polícia Civil correspondente a quatro meses de atraso.

A empresa foi procurada através de um dos seus representantes em Natal, que disse não ter autorização para falar sobre o assunto e indicou procurarmos a administração central, com a qual não conseguimos falar no final da tarde de ontem.

Fonte: Tribuna do Norte

quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

ACS PMRN Denuncia descaso em Presídio de Natal

Uma denúncia feita a Associação dos Cabos e Soldados da Polícia Militar do Rio Grande do Norte aponta o descaso no Presídio Provisório Raimundo Nonato Fernandes, na Zona Norte de Natal. De acordo com a acusação, os detentos estão sofrendo com a falta de água e alimentação. Além disso, eles não estão presos nas celas.

De acordo com o cabo Jeoás, os detentos estão soltos dentro do presídio, com todas as celas abertas. " Lá eles dormem, comem e até falam no celular. Eu vi mais de cinco presos em apenas um colchão. Além da falta de água, também falta alimentação e ainda existe um esgoto a céu aberto no local", declarou.

O coordenador do Centro Penitenciário do RN, major José Deques Alves, negou a falta de alimentação para presos, mas confirmou a falta da água. "A água deverá ser restabelecida ainda nesta terça-feira e os detentos voltarão para as celas. A água será puxada da João Chaves", afirmou. Ainda segundo o major Deques, a liberação dos presos para ficarem no pátio aconteceu devido a falta de água. "Eles não aguentariam o calor dentro das celas, sem a água", disse.

A Associação dos Cabos e Soldados anunciou que visitou neste mês todos os presídios do estado e que encaminhará um relatório com as dificuldades encontradas aos órgãos competentes.

Fonte: DN Online

sábado, 15 de janeiro de 2011

PMs VÍTIMAS DO DESCASO

Heróis vítimas do descaso.

Nos últimos meses no Rio Grande do Norte temos presenciado tragicamente a morte ou a ofensa física de servidores da segurança pública ostensiva. Isto nos preocupa bastante porque de quem mais se cobra responsabilidade pela própria resposta à sociedade pela segurança pública, de repente também se vê vítima de ação, premeditada ou não, de meliantes aptos a praticarem o mal, ou nos dizeres bíblicos, sempre prontos para roubar, matar e destruir.

Mas quem protege os que protegem? Será que nossos guardiães que realmente são preparados para a defesa da sociedade e do próximo estão aptos para defenderem a si próprios quando da ocorrência de conflitos? Temos aquele velho jargão de que em casa de ferreiro o espeto é de pau. A gente nunca sabe, no mundo de hoje, quando a violência pode aparecer. Não falo somente da violência física do meio urbano, das drogas, mas principalmente a violência não sentida pois é imposta ao próximo sem sequer se perceber, como o é o da fome; da falta de emprego, da má distribuição de rendas, desvio do erário público que causa enormes prejuízos àqueles que mais necessitam e outros tipos de violência que afloram finalmente na violência material e física.

Voltando ao cerne: em menos de um mês presenciamos valorosos policiais abatidos em serviço. Primeiro tivemos o caso da linha 33 onde o heróico soldado tombou em defesa da sociedade e um sargento da PM também foi seriamente ferido. Depois também de forma não menos trágica, tivemos a morte do policial herói em estrito cumprimento do dever legal em Baia Formosa e outro gravemente ferido.

Por último, em um momento de lazer e entretenimento, aliás, frise-se, raros momentos estes, pois o PM trabalha numa escala estressante e pouco tempo dispõe para a família, vemos um oficial dos mais gabaritados sesquicentenária instituição policial-militar, ser alvejado por meliante sedentos de ações maléficas.

Quando a sociedade brasileira pergunta quanto percebe um policial militar para o exercício árduo, estressante e perigoso do serviço ostensivo da segurança pública e quando vem a resposta que o salário deste cidadão, que jura defender o próximo mesmo com o risco da própria vida, soa como uma comédia. E ainda há pessoas que dizem que o policial militar não merece o soldo que recebe.

Vimos ultimamente o estelionato que a câmara federal impôs aos policiais de todo o Brasil. Diante da proximidade da eleição de 2010, votaram e aprovaram por unanimidade em primeiro turno a PEC 300, proposta de emenda à Constituição que equipararia os salários das PMs de todo o Brasil com os valores pagos aos PMs de Brasília. Agora, depois do pleito, com a casa eleita por quatro anos e com novo governo que aliás prometeu empenho na aprovação da PEC dos PMs, BMs e Civis, estão achincalhando a categoria policial militar, nem aí para o que ganha um PM no Brasil. E olha que levaram menos de cinco minutos para aumentarem os próprios salários em mais de sessenta por cento. Hoje um PM no Distrito Federal ganha um salário digno mas, por exemplo, no Rio de Janeiro onde a PM é a verdadeira força heróica da sociedade, tendo expulsado inimigos públicos e agora juntamente com os Bombeiros Militares, lutam para ainda salvar os desalojados e vítimas das enchentes, percebem um salário que nem é bom comentar. Onde está a justiça nisso?

Pois é. Dois pesos e duas medidas. Enquanto uns arriscam as vidas diuturnamente, inclusive tombando, deixando para trás familiares, amigos, percebendo salários incompatíveis com a função, outros estão por trás de luxuosas escrivaninhas, dentro salas climatizadas, tomando cafezinho e água, ditando as regras do jogo e percebendo salários de fazer inveja à qualquer pessoa.

Já está na hora da própria sociedade se mobilizar e dar um basta nesta situação caótica. Chega de relegar profissionais que lidam com a vida arriscando a própria a um segundo plano. Também é sabido em nosso pais, sétima economia mundial, que não se investe seriamente em educação e saúde pública. O cidadão morre a míngua nos hospitais pelo Brasil afora e a educação é uma das piores do mundo.

Que o exemplo dos policiais militares do RN e os tantos outros que tombam todos os dias em defesa da sociedade possa tocar na mente e no coração dos homens e mulheres que estão no poder deste país. Que estes heróis sejam realmente reconhecidos pelo serviço árduo, perigoso e dedicado que prestam. Tudo isto para que os nomes dos PMs que tombaram no Estado do Rio Grande do Norte não caiam no limbo das matérias mofadas da mídia e sejam esquecidos. É preciso urgentemente tomar providencias contra o crime que se alastra em nosso meio social e as providencias necessariamente passam pelo fiel reconhecimento da pessoa que se investe na qualidade de defensor ferrenho da comunidade.

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